Este ano letivo, a colaboração entre estes dois media começou quando O Sesimbrense publicou uma entrevista em discurso indireto ao Diretor do agrupamento sobre o arranque das atividades letivas no AES, na edição de 1 de Setembro. Acrescente-se que esta interligação vai continuar.

Segue-se uma transcrição do texto publicado no jornal local mencionado:

 Regresso às Aulas no AES

«A escola tem de evoluir, senão ficará a falar sozinha…»

Ao aproximarmo-nos do início das aulas, que, no Agrupamento de Escolas de Sampaio (AES), vai ser no dia 15 de Setembro, a azáfama com os preparativos é intensa. Os horários das cinco escolas têm que estar prontos a tempo e horas, de modo a que o regresso às aulas ocorra como previsto. Foi assim, imerso na feitura de horários, em conjunto com a sua equipa de trabalho, que fomos encontrar o Diretor do AES, o professor Rui do Bem, que nos falou das novidades e das suas preocupações em relação ao ensino, pois, segundo o mesmo, haverá sempre alunos com «dificuldade em envolver-se, em prestar atenção, em motivar-se para a aprendizagem.»

As novidades para este ano letivo

A primeira boa nova é a de que os manuais escolares do 1.º ano são, pela primeira vez, fornecidos pelo Ministério da Educação (ME), tendo sido solicitados pela escola e distribuídos aos alunos. Não se trata verdadeiramente de uma oferta, mas sim de um empréstimo, devendo os discentes mantê-los em bom estado de conservação, sob pena de terem de os pagar, caso os danifiquem. Segundo o entrevistado, esta medida não terá uma grande eficácia, dado que, nesta faixa etária, não há ainda a maturidade suficiente para garantir a devida preservação dos materiais.

Outra mudança, já anteriormente anunciada, prende-se com a avaliação no Ensino Básico e consiste na cessação dos exames nos 4.º e 6.º anos e na introdução das provas de aferição nos 2.º, 5.º e 8.º anos.

Está ainda em estudo, por uma equipa do ME, a redefinição de metas de aprendizagem no 1.º ciclo, nomeadamente na disciplina de Matemática, para que a progressão seja mais fácil e a aprendizagem mais eficaz.

O AES ao encontro das metas da UE 2020 – redução do abandono escolar para 10% em Portugal

Em comparação com os restantes países da OCDE, Portugal apresenta uma taxa de abandono escolar muito elevada, pelo que foi estabelecido que até 2020 esta seja reduzida para 10%, o que pressupõe também uma diminuição das retenções.

Segundo o nosso entrevistado, ao nível de abandono escolar no Ensino Básico já não se regista uma taxa significativa, o que se deve à diversidade de respostas educativas no Agrupamento. Estas têm passado pela abertura de cursos vocacionais (muito embora estes vão acabar por diretiva ministerial) e pela implementação dos currículos alternativos (em que se verificaram mudanças e que poderão vir a substituir os primeiros); este ano, no Agrupamento, formaram-se duas turmas de 7.º, para dar continuidade às de 6.º. Também os Programas Integrados de Educação e Formação (PIEF) têm permitido manter mais alunos no sistema de ensino e, no presente ano letivo, estes sofrerão igualmente algumas alterações. Por outro lado, o Ensino Estruturado tem proporcionado respostas pedagógicas de qualidade para os alunos com necessidades educativas especiais, tanto mais que muitos discentes com problemáticas várias neste âmbito procuram o Agrupamento, inclusive de outras áreas geográficas, como a Quinta do Conde.

Anos e níveis de ensino com maior incidência de retenção

No ano transato, a taxa de retenção do 10.º ano foi mais elevada do que habitualmente – o que se prende com o facto de muitos alunos optarem por cursos que não correspondem à sua real vocação, isto também porque, face ao aumento da oferta, nem sempre a escolha é a mais criteriosa.

Apesar do contributo sempre positivo da orientação vocacional, neste ano letivo, porventura em resultado de uma restruturação desta área na escola, registou-se uma redução da procura dos cursos profissionais e uma aposta maioritária nos cursos científico-humanísticos, o que poderá redundar num maior abandono escolar, visto que as mudanças de curso (autorizadas até ao final do 1.º Período) são estatisticamente contabilizadas como tal.

A criação por parte do ME do Planeamento de Ação Estratégica (PAE) de Promoção da Qualidade das Aprendizagens

Este é um projeto de combate ao insucesso escolar, direcionado para as práticas de sala de aula, assente no pressuposto de que as próprias escolas devem assumir-se como proponentes e executoras de medidas pedagógicas estratégicas.

Conforme nos contou o Diretor do AES, o ME promoveu uma ação de formação em que participaram quatro pessoas do nosso Agrupamento: o Diretor, um representante do 1.º ciclo, a Coordenadora dos Diretores de Turma do Ensino Básico e a Coordenadora do Departamento de Português. Solicitou-se aos participantes que elaborassem um plano com três a cinco medidas, visando uma melhoria da qualidade das aprendizagens. Foram apresentadas quatro medidas, que deverão ser postas em prática durante o próximo biénio. Posteriormente, será feita uma avaliação e eventual reformulação, para que, em 2020, se obtenham as melhorias expectáveis.

Inicialmente, os participantes tinham sido informados de que iriam ser disponibilizados recursos consentâneos com as medidas a implementar. E, embora o projeto do nosso Agrupamento tenha sido enaltecido pelos técnicos, que o consideraram muito adequado, já se registou algum recuo na disponibilização dos meios para a sua aplicação, nomeadamente no que diz respeito ao crédito horário, o que condiciona a concretização da totalidade das medidas previstas

Assim, foi necessário restringir o âmbito do projeto. No 1.º ciclo serão executadas todas as medidas previstas, mas já no 2.º ciclo apenas uma delas poderá ser concretizada. No 3.º ciclo será implementada uma integralmente e outra parcialmente. No Secundário, também não se cumprirá o plano na íntegra.

A 1.ª medida, direcionada para o 1.º ciclo, implica o aumento das horas de coadjuvação (a presença de dois professores em aula na realização das atividades curriculares) na disciplina de Português, direcionadas para o 1º e 2º anos, com vista à diversificação pedagógica, nomeadamente nas metodologias de aprendizagem da leitura e da escrita.

A 2.ª medida, direcionada para o 2.º ciclo, consistiu na reformulação do apoio ao estudo, que agora tomará a designação de «laboratório de aprendizagem». A primeira modalidade estava incluída nos horários dos alunos, com um mínimo de quatro horas semanais, e contemplava as disciplinas de Matemática, Inglês e Português. Era vocacionada para alunos específicos propostos pelos docentes e tinha um carácter facultativo. O «laboratório de aprendizagem» deverá ter como público-alvo não apenas os discentes com dificuldades, mas também aqueles que estejam interessados em desenvolver outras capacidades, estimulando, nomeadamente, a sua autonomia. A finalidade é desenvolver outras práticas pedagógicas inviáveis em contexto de sala de aula, com recurso às novas tecnologias e com atividades de carácter mais prático, daí a designação de «laboratório». Porém, o crédito horário permite apenas abranger duas disciplinas: o Inglês (com uma hora) e a Matemática (com duas horas).

A 3.ª medida proposta, transversal aos 2.º/3.º ciclos e Secundário, correspondia ao aumento de uma hora letiva semanal na disciplina de Português, dividida em turnos, que alternariam com a língua estrangeira, para trabalhar sobretudo a oralidade. Contudo, por falta de crédito horário, esta medida só poderá ser implementada no 3.º ciclo e limitará a atribuição de horas de «laboratório de aprendizagem» neste ciclo, que se cingirão à disciplina de Ciências Físico-Química

No Secundário, os alunos disporão de uma hora letiva suplementar a Português, mas apenas nos 10.º e no 11.º anos.

A 4.ª medida prevista consiste na «intervisão» entre pares, ou seja, cada docente da mesma disciplina assistirá a uma aula de um colega por período, com vista a reforçar a divulgação e disseminação de boas práticas letivas. Pretende-se com isto dar resposta a uma das insuficiências detetadas na avaliação externa da Escola, concretamente a ausência de supervisão de aulas. A concretização desta estratégia implicará a frequência, pelos Coordenadores de Departamento e pelo Diretor, de uma ação de formação que terá lugar no início de setembro.

Outras finalidades da UE para 2020 – uma maior adequação do ensino à vida ativa e incremento da formação

Vai ser relançado o Programa Novas Oportunidades, com a abertura de mais centros, seguindo uma tipologia diferente. Para concretizar esta iniciativa, será ministrada formação direccionada para os formadores e para os diretores das escolas.

Para além disso, no AES, foi solicitada formação para a supervisão pedagógica e para os «laboratórios de aprendizagem».

Os «afamados» rankings

Apesar de reconhecer que os rankings não espelham necessariamente a qualidade pedagógica de um estabelecimento de ensino, o nosso interlocutor considera que, em termos de imagem de escola, estes assumem uma relevância significativa, até porque os pais e encarregados de educação lhes atribuem muita importância, devido à sua difusão pela comunicação social.

Relativamente ao ano transato, no 9.º ano, os resultados da escola ficaram abaixo da média nacional. No Secundário, também foram maioritariamente inferiores, em particular nalgumas disciplinas, como a História e o Desenho. Estes resultados não evidenciam inequivocamente deficiências nas aprendizagens, podendo, antes, derivar de falhas ou de alguma subjetividade na avaliação externa. Por exemplo, na disciplina de Desenho, foram interpostos vários pedidos de reapreciação, tendo sido todos aceites e registando-se mesmo uma subida de seis valores numa das provas. Inversamente, em Português foram obtidos resultados acima da média nacional, o que interferiu positivamente na estatística global, dado o número de alunos matriculados nesta disciplina.

Só para constatar a flutuação dos rankings, no ano de 2014/2015, ao nível da estatística da avaliação externa, o AES tinha sido a segunda instituição escolar no distrito de Setúbal, e, no ano transato, possivelmente, verificar-se-á uma descida nos rankings quando forem divulgados os resultados definitivos.

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