Um grupo de quatro alunos, a Inês Colaço, a Iryna Bohonis, o Gonçalo Jorge e a Margarida Ornellas, acompanhados por dois professores, Luís Varela e Viriato Rodrigues, da equipa Comenius da Escola Secundária de Sampaio viajou, no passado mês de junho, para Istambul. Cumpriu-se, assim, a segunda etapa das mobilidades previstas no programa de parcerias multilaterais, cujo tema central é a comunicação intergeracional. Aqui fica o testemunho inspirado da Margarida e da Iryna sobre uma semana inesquecível:

Sabia a qualquer coisa diferente: o ar, as pessoas, o chão que eu pisava e o próprio céu noturno lá fora, era tudo estranho, ou talvez fosse eu a estranha àquele meio, o certo é que entrávamos em choque. Nunca tinha estado tão longe de casa como naquele momento e penso que era isso, em especial, que tentava assimilar, a distância. A quebra da rotina fazia ressoar os alarmes na minha cabeça. Era factual, eu não estava no sofá a ver um filme com os meus pais, acabava de chegar a um aeroporto na Turquia com 3 colegas de escola e 2 professores. Mas e acreditar nisso? Sentia tudo o que tinha deixado para trás extremamente perto, o mais provável era que saísse à rua e me apercebesse de que continuava em Lisboa. Mas não, lá fora esperava-me Istambul.

A cidade recebeu-nos tardiamente, mas penso que falo por todos quando digo que não poderíamos estar mais despertos. A nossa primeira paragem foi a escola parceira e o caminho até lá enquanto observava os edifícios com luzes na noite cerrada era como que um convite à imaginação que antecipava os dias que se seguiriam. Quase não proferi uma palavra nesse período e quando alcançámos o destino abracei a nova língua de comunicação e o inglês tornar-se-ia, em tão pouco tempo, tão usual que ainda diria coisas como “Sorry” e “Thank you” de volta a Portugal.

Esperavam-nos as famílias que nos acolheriam na sua casa durante os 5 dias de aventura. Foi com grande entusiasmo que revi o meu amigo Erdem e conheci os seus pais, Faruk e Neslihan (pai e mãe por essa ordem, só para não suscitar confusões), pessoas que desde logo me pareceram muito simpáticas e que se viriam a revelar maravilhosos anfitriões e também eles novos amigos que recordaria com carinho. Ofereceram-se prontamente a carregar as minhas malas, deram-me as boas-vindas ao seu lar e até me serviram crepes às duas da manhã! Lá conheci Onur, irmão mais velho de Erdem, que dotado de uma educação impecável como o resto da família até colocou o DVD de Mariza que lhes acabava de oferecer. Após um pouco de fado e música turca, dirigi-me ao quarto que seria meu durante 4 noites, pensando em como ainda não podia crer que me encontrasse naquele lugar, era absolutamente surreal, como se com 16 anos a minha vida tivesse apenas começado e a minha mente entorpecida ainda não tivesse tomado plena consciência das circunstâncias. Escrevi sobre isso antes de me deitar e fui apenas capaz de dormir 3 horas sobre o assunto até despertar.

O dia seguinte foi uma animação, após um pequeno-almoço cheio de sabores variadíssimos e olhares que incitavam a mais um pãozinho com doce, um pedaço de queijo ou um copo de sumo, partimos de novo para a escola, o ponto de encontro nesse e nos dias para vir. Aí conheci os restantes alunos turcos envolvidos no projeto e os alemães e espanhóis que tal como eu visitavam o país. Ainda passeei pelo jardim e cumprimentei alguns amigos de Erdem, que ele tão descontraidamente tratava por irmãos. Seguiu-se uma encantadora viagem de barco pelo canal do Bósforo, o braço de água esverdeada e cintilante que separa o lado asiático da cidade do europeu. Na margem em que abarcámos, visitámos a primeira mesquita, cuja entrada obrigava a pés descalços e cabelos tapados por lenços e fizemos as primeiras compras num extraordinário bazar, onde reinava o cheiro a especiarias diversas e turistas de todas as nacionalidades se debruçavam sobre uma miríade de pulseiras, brincos e colares coloridos. A tarde foi perfeita para passear pelas ruas de Kadikoy e andar nos engraçados miniautocarros nos quais os passageiros pagavam sempre a mesma quantia independentemente da distância que tencionavam percorrer. O jantar à noite foi numa universidade de Artes com música ao vivo e um DJ, como é claro, quase todos acabaram o dia a dançar.

O segundo dia reservava-nos aquilo que verdadeiramente não se podia perder numa ida a Istambul, uma visita guiada aos grandes monumentos deste local histórico, entre os quais, o Hagia Sophia e o Topkapi Palace. Deslumbrei-me perante a sua exuberância, a construção tanto exterior como interior tornava clara a sua fama. Era como estar presa num folheto de uma agência de viagens, aquilo que só tinha visto em fotos e filmes erguendo-se perante mim, como uma miragem.

E, enquanto pensava que as coisas não podiam melhorar ainda mais, após uma exposição de desenhos de estudantes do 12º ano, fomos conduzidos a uma sala de espetáculos e completamente arrebatados por um incrível concerto onde alunos e professores atuaram, tocando com perícia os instrumentos a que dedicavam o seu tempo, desde as flautas, pianos, violoncelos, aos meus amados violinos. A brilhante apresentação terminou com um arrepiante coro a cantar “Bohemian Rhapsody” dos Queen. Toda esta desmonstração de talentos deixou-me para além de pasmada, com uma pontada de ciúmes, não tanto pelas aptidões dos alunos, mas mais pela oportunidade que lhes fora concedida de as desenvolver de forma tão singular.

Com o novo amanhecer já me sentia parte daquele mundo e foi com pesar que após a exposição dos anos 60 e o almoço me despedi de parte dos alunos do projeto e professores, que já não voltaria a ver no próximo dia. Tínhamos a tarde livre para fazer aquilo que quiséssemos e encontrar os presentes que nos faltavam. Foi precisamente isso que fiz com Erdem e Melek, uma outra rapariga, estudante de violino que, em pouquíssimo tempo, juntou-se às agradáveis memórias que guardarei, decerto para sempre, desta viagem. À noite jantei com a família de Erdem, apesar de Faruk e Neslihan não dominarem o inglês não houve grande dificuldade em desenvolver a conversa, tudo o que não percebiam Onur traduzia.

O dia terminou comigo a ver os espetaculares desenhos de Erdem, com uma data de conversa fiada sobre nenhum assunto em particular e muita galhofa. Penso que essa era a resposta da nossa mente embriagada de juventude à sensação de que o tempo se esgotava. Voltei a não dormir quase nada, mas isso pouco me importou, o facto de já estarmos de partida tão cedo era muito mais perturbante do que a falta de sono. O tempo trabalhava implacável, aproximava-se de novo a hora de descolar, ainda desejei que houvesse uma grande tempestade e o avião não pudesse levantar voo, obrigando-nos a ficar retidos durante mais uma semana, mas as minhas preces não foram atendidas, julgo que toda a minha sorte se esgotou no sorteio para ver quem participava nesta viagem. Valeu a pena! De regresso a Portugal sentia-me diferente no meu próprio meio, aquilo que vemos e assimilamos muda deveras a nossa maneira de pensar. Espero poder voltar à Turquia um dia, experiências como estas são dignas de se repetir!

Margarida Ornellas

 

A viagem a Istambul, que realizei no âmbito do projeto ‘Comenius’, proporcionou-me experiências únicas, e aumentou bastante a minha cultura a vários níveis.

Em relação a Istambul, por onde pude andar e explorar bastante, juntamente com os meus colegas  e a Selin que foi quem eu recebi e que me recebeu em sua casa neste projeto, achei uma cidade muito interessante, bastante povoada, sobrepovoada até, onde pude ver a diferença e, na minha opinião, um grande contraste a este nível.

A população não se distingue apenas pelo número mas também pela vestimenta. Pude encontrar pessoas de várias nacionalidades na mesma cidade, com os respetivos trajes, tendo observado, por exemplo,que a maioria da população pertence à religião Muçulmana, mas diferenciavam-se de várias maneiras, principalmente as mulheres, que parecem ter mais restrições a nível religioso. Umas vestiam-se da mesma maneira que em Portugal, sem grandes diferenças nas roupas, outras andavam com roupa normal também, mas com um lenço na cabeça a tapar o cabelo, outras ainda, andavam tapadas da cabeça aos pés, podendo apenas ver as mãos e os olhos, as quais penso serem da Arábia Saudita, pois junto dessas mulheres observei que havia um homem com várias mulheres à sua volta, sendo possivelmente todas suas esposas.

A nível da alimentação não existem diferenças tão grandes como na maneira de vestir, achei que na Turquia os sabores picantes, salgados, especiarias são bastante tradicionais, fazendo com que o tipo de alimentos varie. Tive oportunidade de provar imensas comidas turcas, desde molhos picantes, pratos típicos da Turquia, doces tradicionais e bebidas mais consumidas na cidade, sendo os que mais sobressaem, na minha opinião, o chá e uma espécie de iogurte natural com água e sal.

A religião predominante neste país destaca-se bastante, pela vestimenta, como referi acima, as numerosas mesquitas, capelas ou igrejas, que seja, as regras de comportamento dentro e fora delas, que em Portugal não é tão evidente pois a religião predominante não é a mesma e por ser um país do Ocidente. Istambul está cheio de sítios para visitar e recordar, com monumentos, parques, mesquitas, museus, vistas fantásticas e zonas maravilhosas para conhecer.

Os grupos visitaram várias zonas, tendo uns, para mim, despertado mais interesse que outros mas sem grande diferenciação. Destaco Sultanahmet (Blue Mosk), a viagem de Barco pelo rio ‘Derince’ de onde pude observar uma ponte que ligava a Europa à Ásia, o Grande Bazar, onde pude gastar o dinheiro que me restava com imensas coisas, a zona de Kadiköy, pela qual andei mais de uma vez com o grupo de Portugal e da Turquia. Visitámos a Universidade de Artes Mimar, da qual fiquei a conhecer a história, pelo facto de o interior estar completamente cheio de frases, mensagens, símbolos e imagens que estão relacionadas com a morte de uma criança pelos polícias turcos há algum tempo atrás.

A meu ver, Istambul é uma cidade como Lisboa, mas numa escala muito maior, tendo assim mais tendência para descuidos a nível social e ambiental. Que eu tenha reparado, como menos positivo, as ruas têm imenso lixo, devido à ausência de caixotes do lixo, como existem em Lisboa, em cada esquina, evitando estas lixeiras nos sítios mais movimentados. Mas, por curiosidade, fiz essa pergunta e a resposta foi de que existe uma tendência enorme de deitar ‘bombas’/’explosivos’ nos caixotes, entre outras coisas não apropriadas. Não quer dizer que a cidade seja suja ou menos limpa, porque apesar de tudo não chega a uma sujidade extrema. A venda de produtos, nomeadamente no meio da rua e em sítios menos esperados é muito comum, e eu, não estando habituada, estranhei, mas nada que não me habituasse.

O acolhimento da família da Selin não poderia ter sido melhor, trataram-me super bem desde o primeiro dia, e fizeram-me sentir em casa, por isso críticas não tenho nenhumas. Com Rim, a mãe da Selin,  criei laços fortes e confiança logo de início, passando a ser ela a minha ‘Turkish mama :-). Conheci e dei-me muito bem com a irmã da Selin graças a este projeto, foi uma experiência única que me uniu a pessoas do ‘outro lado do mundo’ por um longo período de tempo, tendo já ideias para planos futuros (um Erasmus sem professores) apesar de que os professores que viajaram connosco não poderiam ter sido melhor escolhidos, desde a organização, gestão, companhia e apoio em todos os níveis, tendo corrido tudo lindamente sem qualquer queixa da minha parte.

Uma das partes mais divertidas desta viagem, foram as viagens de avião com o nosso grupo que nos permitiu conhecer-nos melhor uns aos outros e passar tempo juntos fora do âmbito escolar. Foi uma experiência mais aberta, descontraída e única para todos.

Iryna Bohonis

 

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