O título de uma peça do norte-americano Edward Albee «Quem tem medo de Virginia Woolf?», escrita nos anos 60 do século passado, mostra que entre o lobo mau e a escritora inglesa pode haver semelhanças, mas também há consideráveis diferenças. Não é que a peça tenha a ver com a vida de Virginia Woolf, cujo fim trágico é comparável ao do lobo do Capuchinho Vermelho, que morreu nas águas depois de lhe terem forrado a barriga de pedras.

Mas, no desempoeirado século XXI, não devemos ter medo nem do lobo mau nem de Virginia Woolf, antes devemos lê-la, recordar a sua escrita densamente metafórica, turvamente visionária, modernista de um modo que se aproxima dos nossos tempos, com a profusão de géneros e de linguagens que tornam a nossa identidade feérica e abissal. Orlando é a obra, por excelência, do ser andrógino, que não se deixa confinar nem no tempo, nem no espaço, nem na casta, nem no sexo. Mas há muitos outros livros para descobrir da autora e filmes que a imortalizam. Só para abrir o apetite, deixo aqui um vídeo não legendado, que recorda as suas obras em imagens de livresca imaginação: «Why should you read Virginia Woolf?».

Dezembro 2021, partilhado por Catarina Labisa

About The Author

Leave a Reply

Your email address will not be published.