E de repente tudo parou…

Podia ser o título de um livro de Orwell, porque para todos foi o mais próximo de um filme de terror vivido na vida real. Ficámos sozinhos, sem forma de nos conectarmos ??? aquilo que determina a nossa existência, sim, porque o silogismo de “Cogito ergo sum” (livremente… penso, logo existo) estaria mais adequado hoje para “a minha conta de Instagram tem x seguidores, logo … existo. Assim, e privados de atualizar o nosso feed, ficamos desprovidos de sociedade, nada ocorre… então recorre-se às aplicações de mensagem, e tal não é a surpresa que também elas estão em baixo, a mensagem é escrita, mas não chega ao destinatário – que lembrança fugaz das cartas enviadas que demoravam meses a ter uma resposta, isto se não se extraviassem. Agora sim, inicia-se o pânico… “O que é que eu vou fazer?” Longe de se lembrarem que as comunicações não estavam impedidas, apenas aquilo que é hábito usarmos? Mas será que é apenas um hábito? Estará tão embrenhado na nossa forma de viver que a falta do imediatismo nos faz sentir… perdidos?

Este pesadelo durou apenas 5 horas, e durante estas choveram os pedidos de apoio técnico, já que as pessoas procuravam a todo o custo repor o serviço, para que de alguma forma não se sentissem impotentes, quase como as mães quando começam a ligar para os amigos, se o filho está demasiado atrasado e tem o telefone desligado…

Após a recuperação do serviço, choveram comentários dos influenciadores sociais, a dizerem que acabou por ser uma boa forma de durante 5 horas se terem desintoxicado da vida na Web, mas será que foi assim que o encararam tendo em conta que a sua subsistência advém do que publicam e de quantas pessoas o veem? Para termos uma ideia do que fez mexer este apagão (por dificuldades técnicas, segundo sabemos), Zuckerberg desceu uma posição no ranking dos mais ricos do mundo, perdeu nada mais nada menos que 5 mil milhões de euros…um número com 9 zeros…

Incrível a forma como este meio de comunicação que tanto nos facilita a vida acaba por nos tornar tão dependentes, como crianças pequenas à mercê de máquinas que se encontram do outro lado do mundo.

Será que o controlo das máquinas está assim tão longe? Questiono-me o que teria acontecido se se tivessem perdido para sempre estas plataformas. De repente, a minha memória leva-me ao final do filme “Transcendence” e o caos que ocorre na sociedade, será que é para aí que caminhamos? Ou será que está descoberto o instrumento para as máquinas nos submeterem à sua vontade? Sei que a IA ainda está em estado embrionário, mas o próximo salto será no nosso tempo de vida e não daqui a gerações.

Mas paremos com este discurso negro, afinal os acontecimentos originam mudança, aquela que queremos, claro, e a mim o que este pequeno interregno me permitiu, foi mesmo perceber a minha adição, e agora começa o meu processo de desmame, para que não me sinta refém do próximo “traficante” que só vê as suas margens de lucro.

Estou a escrever este artigo no meu smartphone, e por baixo da máscara esboço um sorriso, “qual desmame…”

Outubro 2021, enviado por Luís Araújo

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