NOMES DA NOSSA TERRA

Terra de pescadores, Sesimbra é conhecida pela qualidade e frescura do seu peixe: o peixe-espada preto, o carapau, a sardinha, o besugo, o choco, o tamboril, a corvina, a raia, o polvo e tantos outros. Relativamente perto da capital, a vila é destino obrigatório para os apreciadores de peixe e marisco que nos fins de semana aí demandam, enchendo os seus vários restaurantes.

Sesimbra, o mar e o peixe têm uma cumplicidade de muitos séculos. Não é por acaso que nos Lusíadas [III-65] Camões refere a vila como «a piscosa Cizimbra» e André de Resende fala sobre o «mar piscosíssimo de Sesimbra».

Uma das mais antigas referências a Sesimbra surge no foral da vila, datado de 1201 e atribuído por D. Sancho I, filho do primeiro rei de Portugal. Neste documento o nome que surge é «Sisimbria». Camões escreve «Cizimbra», e num documento de 1561 é igualmente esta a grafia que surge. Na verdade durante vários séculos usaram-se as duas formas, com “C” e “S”, mas a normalização ortográfica de 1911 impôs o nome atual.

Leite de Vasconcelos (1858 – 1941), linguista, filólogo, arqueólogo e etnógrafo, um dos maiores intelectuais portugueses de todos os tempos, estudou a origem do nome de Sesimbra, tendo concluído que derivava do vocábulo grego-latino sisymbrium – planta que identifica com o agrião ou o mastruço.

Hoje podemos dizer que o Sisymbrium é um género com várias espécies. O nome científico Sisymbrium officinale (L.) Scopoli designa uma planta conhecida como boticas, rinchão ou erva dos cantores. Sisymbrium masturtium aquaticum já foi o nome científico da planta que designamos por agrião, mastruço-dos-rios ou rabaça-dos-rios. Dioscórides, um autor greco-romano do século I d.C. e autor da obra «De materia medica», a principal fonte de informação sobre drogas medicinais entre os séculos I e XVIII, dá o nome de Sisymbrium a duas distintas plantas: o agrião e a hortelã.

Não sabemos qual das duas plantas serviu para dar o nome à povoação. A abundância de uma das plantas, no passado ou ainda hoje, teria justificado o nome. Deixamos para os botânicos e especialistas da flora da Arrábida a última palavra sobre o assunto.

Sesimbra tem igualmente uma origem lendária, nascida do humor e da imaginação populares. A ciência e a lenda, embora com pesos diferentes, têm aqui a mesma legitimidade. A lenda da origem de Sesimbra conta-se em poucas linhas:

Há muitos anos o território era governado por um nobre, odiado pelas populações que aí viviam. Este, não somente as explorava com pesados tributos como as humilhava com a exigência de dormir com as noivas na noite do casamento (jus primae noctis, «direito da primeira noite»).

Zimbra, um pescador, quando chegou a sua vez de casar, recusou a exigência do tirano e revoltou-se. Correu de aldeia em aldeia, de porta em porta. Falando ao coração de outros jovens como ele, convenceu-os a fugirem através da serra para junto do mar, onde passariam a viver. Ao chegar a véspera do seu casamento assim fizeram. E errando pelos velhos caminhos da serra, que só as feras conheciam, alcançaram por fim o mar e fundaram aquela que é hoje a «piscosa vila de Sesimbra».

O nome da nova povoação relaciona-se com a liderança que desde a primeira hora reconheceram a Zimbra, pois sempre que tinham de tomar uma decisão diziam: “Se Zimbra quiser”. E assim nasceu SESIMBRA.

Enviado pela Profª. Antónia Torres

Take this…Sesimbra… Sesimbra Vlog Portugal 🇵🇹

BIBLIOGRAFIA

ALARCÃO, Jorge de (2012) – Notas de arqueologia, epigrafia e toponímia VII.
Revista Portuguesa de Arqueologia. Lisboa. 18, pp. 147-160.
CAMÕES, Luis Vaz de (2003) – Os Lusíadas. Porto: Porto Editora.
DIAS, Maria do Céu Carvalho. A origem do topónimo Sesimbra.
In: Do Capibaribe ao Tejo. Disponível em: http://docapibaribeaotejo.blogspot.com/2010/12/origem-do-toponimo-sesimbra.html>. Acesso em 24 nov. 2020.
FONSECA, André Filipe Faria da (2015) – Flora da Península de Setúbal: Uma contribuição para o conhecimento da etnobotânica. Évora: Universidade de Évora.
RESENDE, André de (2009) – As Antiguidades da Lusitânia = Portugaliae Monumenta Neolatina, Vol. III. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.
SESIMBRA. In: WIKIPEDIA: a enciclopédia livre. Wikimedia, 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sesimbra>. Acesso em 26 nov. 2020.
VASCONCELOS, Leite de. In: WIKIPEDIA: a enciclopédia livre. Wikimedia, 2020.
Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Leite_de_Vasconcelos>.

Acedido a 26 nov. 2020

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