Desde tempos imemoriais que ler é viajar. Muitos escritores foram também grandes viajantes e disso nos deixaram testemunho, convidando-nos a abandonar os nossos lares e partir à aventura da leitura.

Foi disso que se tratou quando, por ocasião da Semana da Leitura e como forma de comemorar também o Dia da Animação, a professora Idalina Costa, Coordenadora da BECRE da Escola Secundária de Sampaio, proporcionou a professores e alunos dos Cursos de Artes um encontro com a escritora e ilustradora Margarida Botelho.

Esta autora de obras infantojuvenis formou-se em Arquitetura, mas depressa se apercebeu de que precisava de explorar outras áreas onde sentisse maior «liberdade criativa». O seu gosto pela escrita, pelo teatro, pela cenografia, pelo convívio, pela partilha de experiências e de mundividências levou-a a procurar trabalho em bibliotecas e a criar e ilustrar os seus próprios textos. Vencedora do Prémio Literário Maria Rosa Colaço em 2008, com o livro As cozinheiras de livros, Margarida Botelho autointitula-se justamente como «fazedora de livros», porque não só os concebe, escreve e ilustra, como também, através deles, estabelece estreitas relações com outros povos e culturas.

Desde 2010 que viaja por localidades do mundo lusófono, levando a cabo um «projeto de literacia comunitária» alicerçado na convicção de que criar livros «com a nossa história de vida» nos dota de «ferramentas para entendermos quem somos e o mundo que nos rodeia» e, em «algumas situações limite», pode até ajudar-nos «a sobreviver: treinando competências que podem ser determinantes no desenvolvimento social e económico de comunidades vulneráveis» (http://www.margaridabotelho.com/what-is-encontros/). O projeto chama-se ENCONTROS e já levou Margarida Botelho a conhecer e a escrever histórias sobre lugares tão diferentes como Moçambique, Índia, Brasil, Timor-Leste e Cabo Verde. Esse conhecimento não é superficial nem distante como o de um turista apressado, mas é moroso e estreito, visando a integração quotidiana nas comunidades de acolhimento e a partilha das histórias profundas e significativas que exprimem a identidade pessoal e cultural.

É sobre isso e também sobre as técnicas de ilustração que esta autora desenvolveu que o LOOKaes, com a colaboração dos professores de Artes da Escola de Sampaio, aqui nos dá conta. Vale a pena ver e ouvir a «fazedora de histórias» Margarida Botelho e sentir-se inspirado para viajar também, estabelecendo laços expressivos com o estranho e variado mundo que está à nossa volta, ao alcance não de um clique, mas da PALAVRA e da IMAGEM.

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