Nas aulas de Português a necessidade de melhoria da expressão escrita deu origem à realização de vários trabalhos, desde a escrita colaborativa à reescrita de textos e, neste caso, à continuação de uma narrativa tendo como ponto de partida o início do conto de um autor (neste caso, Clarice Lispector). O trabalho iniciou-se a pares, numa aula de turnos, seguido de uma finalização individual. Foi este o desafio colocado aos alunos das turmas 8.ºA, 9.ºB, 9.ºD e 9.ºE. Eis alguns dos bons resultados deste “Quem conta um conto…”, pois nem todos quiseram partilhá-los além da turma.

“Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.” (Clarice Lispector, Contos)

Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas á luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeáveis, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.”

Estava-se a aproximar uma tempestade, num mundo pós-apocalíptico, tenso e aterrorizante que explora a essência do medo. Os cientistas não tinham a certeza se era uma tempestade ou um fenómeno sobrenatural ou até mesmo uma invasão alienígena. O que era certo é que havia algo inexplicável a vaguear pelas ruas, as pessoas ainda não se tinham apercebido do quão perigoso era o que vinha aí.     

 A “tempestade” estava a tornar-se cada vez mais perigosa, Beatriz estava a tentar acalmar a filha, a luz ainda não tinha voltado, vinte e seis pessoas já estavam desaparecidas, ninguém sabia do que se tratava, as pessoas não conseguiam dormir de tanto medo…

Os cientistas batalharam a noite toda, até que se aperceberam que era uma doença estranha, pois quando o vento soprava na cara das pessoas levava estas a terem alucinações. Era um vento diferente, continha uma substância que levava as pessoas à loucura…

Voltará isto a repetir-se?

Beatriz Dias, 8.ºA, 2018-19

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“Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava constantemente.”

Hoje, era o dia! O dia em que o pior estava para vir — o tornado Joaquim. Todas as pessoas procuravam abrigar-se em suas casas e protegerem-se do que iria acontecer.

Era uma cidade pequena onde todos se conheciam e onde todos eram amigos.

Durante a procura de um abrigo seguro, Manuel, que era um jovem rapaz muito generoso, lembrou-se da rapariga que conhecera na semana anterior, pela qual ficara apaixonado. O seu nome era Clara, era uma pobre mendiga que se sustentava à custa dos outros, mas que tinha uma alegria contagiante.

Manuel falou com seus pais, para que a mendiga se pudesse abrigar em sua casa. Os pais aceitaram a sua ideia. Ele sabia onde a encontrar, por isso, foi até lá e apresentou-lhe a proposta. Ela aceitou-a logo, pois precisava muito desse abrigo, e foram apressadamente para casa, para se protegerem.

Passado o tornado, que felizmente não fez estragos, a mendiga acabou por encontrar uma família.

Beatriz João, 8.ºA, 2018-19

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Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam no asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.

Joana sabia que estava na hora de ir para o armazém, aquele que antigamente fora a maior indústria de fabrico de skates de toda a América. Ganhou coragem e começou o seu caminho noturno para o seu maior sonho. Levava sempre consigo o seu cão Bolt, já que, durante o dia, o seu emprego como empregada de balcão num café a impedia de o ver. Mas esta noite era diferente. Joana pressentia que algo ou alguém a observava. Ignorou e seguiu. Temia que a tempestade provocasse falhas na eletricidade do armazém.

Anne, que a perseguia, sabia que, se não publicasse a melhor reportagem de jornal de sempre, iria ser despedida. O sonho dela sempre fora ser jornalista, mas, com o apogeu da internet e das redes sociais, o trabalho na área do jornal não andava fácil. Já andava atenta ao comportamento estranho da Joana há dias, mas hoje Anne decidiu também entrar no armazém. Estava confiante de que iria ser a maior reportagem de sempre. Só de pensar que iria envolver perseguições e entradas sorrateiras. Iria ser a capa do jornal!

Assim que Anne entrou no armazém, não conseguia acreditar no que os seus olhos viam. Era tudo tão encantador e com tanto detalhe! Como é que alguém com tanto talento acabou a trabalhar como empregada de café. Com tanto fascínio, Anne acaba por deixar cair uma das telas em branco que estavam perto da porta. Ficou com receio do que Joana lhe poderia dizer, mas sem razão. Quando Joana a viu, convidou-a para beber um chá numa mesinha que existia no armazém. Estiveram até de madrugada a falar e, no dia seguinte, Joana e os seus maravilhosos retratos em tela estavam na primeira página do jornal.

Joana agora é pintora a tempo inteiro e Bolt está com ela todo o dia. Em breve irão fazer uma exposição por todo o mundo e a abertura da sua academia de artes também está para breve. Já Anne é uma jornalista de sucesso e abriu o seu próprio jornal que em dois meses já está no topo das vendas.

Carlota Santos, 8.ºA, 2018-19

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Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.”

      Com receio de que a vissem a espreitar pela janela, atirou-se para debaixo dos lençóis. No silêncio do seu quarto, ela começou a pensar na situação perigosa na qual se encontrara e no rapaz misterioso que a salvara. Ela sabia que, ao ter salvado o colega de levar uma grande tareia, fizera uma boa ação, mas colocara-se em perigo, pois o grupo de rapazes que queria bater no colega desviara a atenção para ela. Lembrava-se ainda melhor do outro rapaz que, apercebendo-se de toda a situação, se tinha posto à frente dela, evitando que fosse agredida. Ela gostava de lhe ter agradecido, mas no meio da confusão ele desaparecera. Esperava não voltar a ser incomodada pelo grupo de rapazes. Com estes pensamentos adormeceu.

      No dia seguinte, quando ia a caminho da escola avistou o rapaz, o seu benfeitor, e dirigiu-se a ele. Caminharam para a escola, tiveram uma longa conversa e ela conseguiu agradecer-lhe, facto que a deixou muito contente.

      Quando estavam quase a chegar à escola, o inesperado aconteceu, o grupo de rapazes que antes tinham tentado bater-lhe apareceu e novamente o rapaz se colocou à sua frente, protegendo-a. Mas os rapazes disseram que não queriam bater em ninguém, aliás queriam pedir desculpa. Desculpas que ambos aceitaram.

      No final do dia, deu consigo a pensar nos últimos dois dias, nos desejos que se tinham concretizado e na sorte que tivera, pois encontrara um bom amigo.

Filipe Passarinho, 9.ºE, 2018-19

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 “Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo alcatrão molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.”

Ela não tinha onde se abrigar, nem tinha qualquer tipo de agasalho, para além disso, a sua vida estava virada do avesso. A única pessoa que cuidava e tratava dela, nesse dia, tinha morrido. Era a sua tia, amável e sempre com um sorriso. Maria ficara agora sozinha, na escola quase não tinha amigos, os seus pais morreram num acidente de viação e o resto da sua família não queria saber dela.

      A chuva acalmou e Maria finalmente conseguiu erguer-se com a pouca força que lhe restava. Dirigiu-se para a casa da falecida tia e fechou-se no seu quarto. Deitada na cama, ela só pensava pôr um fim à sua vida, sentia-se sozinha e incapaz de continuar a viver.

      Lágrimas não faltaram nas noites e dias que se seguiram, já todos sabiam o que tinha acontecido mas ninguém se importava, parecia que a solidão ia estar muito tempo presente na vida desta pobre rapariga, mas a sua melhor amiga, Margarida, quebrou este pensamento. Mal soube o que se passara, tentou logo entrar em contacto com Maria mas sem muito sucesso. Apesar de não saber onde Maria morava, Margarida com a ajuda de alguns professores conseguiu descobrir a sua morada e foi visitá-la.

      Mal entrou na casa, sentiu um clima de tristeza muito profundo, olhou para a amiga e parecia que esta não comia há muito tempo. Margarida perguntava-se para onde teria ido a sua amiga sempre mais bela que o universo e a mais determinada. Ela estava perdida no eterno poço da tristeza e havia pouca coisa que a poderia tirar dali.

      Depois de muita conversa, a Margarida finalmente convenceu-a a ir à escola e continuar a lutar pela vida. Apesar de ter bastante facilidade com a matéria do 11º ano, o abalo emocional dificultava-lhe bastante o trabalho.

      Algumas semanas se passaram, a vida de Maria voltara a entrar nos eixos mas agora melhor do que alguma vez esteve, fez novas amigas graças à Margarida, e estas eram verdadeiras amigas com quem ela podia contar sempre. Também conseguiu tirar, mais uma vez, as melhores notas da turma e provou a todos que era a mais determinada dali.

      A vida parecia finalmente ir bem. Entretanto Maria descobre o testamento da tia. Nele estava declarado que tudo o que pertencia à tia era agora dela. Também encontrou uma carta que explicava uma doença que a tia tinha e o motivo de lha ter escondido, não se tratavam de desejos egoístas, mas do facto de não querer vê-la sofrer. De súbito, as lágrimas começam a escorrer dos seus olhos azuis e demonstra, mais uma vez, a sua fragilidade mas também a sua capacidade de lidar com assuntos difíceis. Na carta, a tia também dizia o quanto a amava e o seu desejo de ver Maria tornando-se numa verdadeira mulher que sempre lutará por aqueles que ama.

      Vários meses se passaram, as férias de verão tinham acabado de começar e Maria sentia-se bastante feliz, conseguiu passar de ano com as melhores notas da turma, obteve o respeito daqueles que a olhavam de lado e conseguiu arranjar um part-time a trabalhar num bar ali perto e recebia o suficiente para pagar as contas da casa. Estava orgulhosa de si mesma, sentia que se tornara na mulher que a tia desejava que se tornasse.

      A vida corria-lhe bastante bem, até que certo dia recebe uma notícia escandalosa: Margarida sofrera um acidente e encontrava-se em estado grave. Não conseguia acreditar, a sua vida voltara a ficar virada do avesso, e sempre que a vida parecia começar a correr bem tinha que aparecer algum obstáculo para impedir isso. Contudo não se deixou ir abaixo, passou todos os dias junto dela, orou o mais que pôde a Deus e nunca deixou de ter esperanças de que Margarida iria acordar e que voltaria a estar com ela.

      Chega o aniversário de Maria, algumas semanas depois do acidente, e Margarida ainda não “acordou”. Nesse dia decidira tirar um dia folga, não para comemorar o seu aniversário mas sim para passá-lo junto da Margarida. Durante o todo dia não saiu do quarto do hospital, esteve sempre a olhar para o belo rosto de Margarida na esperança de poder ver os seus olhos outra vez. Eram quase 23:00, Maria já dormia, junto à cama de hospital, e de repente é acordada por uma mão a tocar-lhe suavemente nos seus longos e belos cabelos castanhos, era a Margarida. Não conseguiu conter as lágrimas nem o entusiasmo, abraçaram-se delicadamente e ali ficaram o resto da noite, rodeadas dos sentimentos de felicidade, alívio e amor.

Gonçalo Nunes Dionísio, 9.ºE, 2018-19

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Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.”

A chuva intensificou-se, Verónica começou a correr até encontrar um sítio onde fosse possível abrigar-se. De repente, olhando para o lado, havia um rapaz que estava presente na mesma situação desesperante. Olharam um para o outro muito assustados, sem perceberem o que os tinha levado a tal situação. Passaram-se umas horas e a chuva acalmou. Nesse instante, Verónica aproximou-se do rapaz e perguntou-lhe o nome. O rapaz saiu do “abrigo” e respondeu “Miguel”. Ambos sorriram, e ele também quis saber o seu nome, que respondeu “Verónica”. Aproveitaram a chuva mais moderada, e combinaram ir a um café próximo, que por sinal era muito acolhedor, para tomarem algo quente para se aquecerem. Falaram sem parar, até parecia que se conheciam há séculos. A empatia entre ambos era crescente. Verónica, ainda estudante da faculdade de medicina, contava as peripécias passadas no estágio do hospital, em que por vezes apareciam casos completamente loucos e cómicos. Miguel, já tinha terminado os estudos, tinha-se formado em engenharia química e tinha começado, nesse ano, a trabalhar numa empresa de tintas. A conversa era bastante amena e envolta de carinho e curiosidade. Ao longo da conversa aperceberam-se que até viviam relativamente perto um do outro e que até tinham amigos em comum. O tempo passou num ápice, e o café tinha de fechar. Saíram e Miguel acompanhou Verónica a casa, para que esta não fosse sozinha. Foi uma ótima ideia, pois podiam continuar a conversar mais um pouco. Ao chegarem a casa de Verónica, ambos sorriram e sentiram uma sensação de felicidade inexplicável. Combinaram novo encontro ainda nessa semana.

As semanas foram passando e a amizade entre eles foi crescendo, ficando a cada encontro, cada vez mais forte. E, sem darem conta, tinham-se apaixonado. O amor surgiu e já não conseguiam viver um sem o outro, estavam sempre juntos e tinham criado uma forte cumplicidade. Gostavam muito de ir ao cinema, riam como loucos, quando se encontravam, para jantar. Nos dias quentes não falhavam uma ida à praia, mas o que mais gostavam de fazer em conjunto era caminhar pelo campo. Cresceram como pessoas, como casal, e só esperavam que Verónica terminasse os estudos, para começarem uma vida nova como casal.

Passaram dois anos, desde aquela noite em que se conheceram, e sempre que chovia, a conversa ia sempre dar ao dia mais feliz das suas vidas. Riam das suas lembranças, das caras que fizeram, dos seus rostos assustados, e das conversas mantidas no café.

Numa noite, Verónica estagiava no banco do hospital (urgências) e preparava-se para fazer uma pausa, quando receberam uma chamada de uma urgência que vinha a caminho, tinha sido um acidente, um choque em cadeia ocorrido na autoestrada. Entraram vários feridos com traumatismos, feridos graves e havia também o registo de dois mortos. Verónica avançou de imediato para começar a tratar os feridos mais graves, quando se deparou com uma situação inesperada. Ali, à sua frente, estava o amor da sua vida, desfigurado e completamente vulnerável, à mercê de suas mãos, para que lhe pudesse salvar a vida. O seu estado era muito complicado, mas Verónica pensou que teria de ser forte e corajosa, para cumprir o seu dever e salvar o seu amor. Um colega da sua equipa disse-lhe “Tu tentas salvar esse, que eu vou tentar salvar a sua namorada.” Verónica viu o chão fugir-lhe dos pés, mas pensou que talvez o seu colega não sabia bem o que estava a dizer, por isso quis perceber melhor o que dizia. Este confirmou o que ela nunca desejaria ter ouvido, que aquele casal viajava junto, e que os seus pais já se encontravam no hospital e deram essa mesma indicação, que eram efetivamente namorados e que quando se deu o acidente iam jantar com uns amigos.

Verónica, naquele momento, cerrou os olhos, e pensou que aquela pessoa ali à sua frente, agora era apenas um estranho, e que teria de dar o seu melhor para o salvar. Todas as manobras foram feitas, mas a rapariga, namorada do seu namorado, estava ainda numa situação muito grave. O “seu” Miguel estava já fora de perigo. Verónica, excelente no seu desempenho, tinha conseguido salvá-lo. Quando este tomou consciência de si, Verónica estava do seu lado, e ele olhou-a com tristeza, sem conseguir dizer uma única palavra. Ela olhou-o com carinho e disse-lhe: “Estás livre de perigo, estás livre de mim, és um homem livre!” Ele fechou os olhos e apenas conseguiu dizer: “Desculpa… És uma mulher maravilhosa, não merecias…”. Ela virou-se, saiu do quarto e sem olhar para trás sussurrou: “Vou certamente ser muito feliz!”

Inês Abreu, 9.ºE, 2018-19

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 “Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caia sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas.  Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma outra buzina tocava maciamente.”

Caminhando pela rua, apercebe-se de que está a ser seguida. Assustada, começa a correr em direção a casa. Desconhecendo a causa desta perseguição, percebe que algo se aproxima cada vez mais. De repente, Sofia, sente algo a puxá-la. Grita, mas a hora de ponta já havia passado, e todas aquelas pessoas de rosto cansado que saiam da grande cidade em direção a casa, tinham ido embora. Estava impaciente, chateada, mas não tinha coragem de olhar a pessoa que a puxava. Subitamente, sente algo a tapar-lhe os olhos e grita novamente. No meio do choro e da agitação, ouve uma voz calma e grossa que lhe pede para se acalmar.

Quando finalmente consegue abrir os olhos percebe que se encontrava junto de muita gente. Ela nem podia acreditar no que estava a acontecer, logo no seu dia de anos.

De repente, apercebe-se de que nenhum dos seus amigos lhe tinha ligado a desejar-lhe os felizes 21anos. “Será que o seu dia estava amaldiçoado?” “Será que era apenas mais uma ideia idiota dos seus amigos?” ” Pode ser que seja apenas um sonho…” E abriu mais os olhos. Qual não foi o seu espanto quando uma enorme multidão salta na sua direção gritando “SURPRESA”. Era a festa dos seus sonhos, num salão cor-de-rosa, e com todos os seus amigos. Sentiu-se uma verdadeira princesa. Emocionada, de susto e felicidade, agradece a todos os que estavam presentes.

No fim de contas, aquela noite que poderia ter sido um pesadelo, transformou-se no sonho dos seus sonhos.

Inês Garcia, 9.ºB, 2018-19

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Começou a ficar escuro e ela teve medo. A chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.”

Depois de jantar, subitamente a luz apaga-se. Ana foi verificar o que se estava a passar e percebeu que a rua ficou sem eletricidade. Em seguida procurou velas, como nada aconteceu foi dormir. Repentinamente acorda com um barulho estranho, talvez do seu vizinho, mas não ligou e voltou a dormir. O seu vizinho era um solitário que não tinha filhos e era viúvo.

Acorda desesperada, pois o barulho era agora mais estrondoso e repetitivo, algo de arrepiar. A luz volta num piscar de olhos. Ana não consegue dormir mais, sai de casa disposta a confrontar o vizinho, para saber o que se passava, mas ninguém atendia. A televisão estava acesa e no quarto de cima via-se o reflexo de um homem com uma faca na mão.

— Ahh! — gritou ela antes de desmaiar.

Entretanto acorda com o barulho do alarme. Tinha de ir trabalhar e percebe que tudo não passou de um sonho. E o seu dia continua como todos os outros.

Margarida Ferreira, 9.ºE, 2018-19

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“Começou a ficar escuro e ela teve medo. Chuva caía sem tréguas e as calçadas brilhavam húmidas à luz das lâmpadas. Passavam pessoas de guarda-chuva, impermeável, muito apressadas, os rostos cansados. Os automóveis deslizavam pelo asfalto molhado e uma ou outra buzina tocava maciamente.”

 A menina pequena de cabelos loiros havia-se afastado da mãe e encontrava-se perdida e sozinha no meio da cidade. Olhavam-na de lado e isso entristecia-a. Porque será que ninguém a ajudava? A criança começava a perceber como as pessoas eram egoístas, como já tinha ajudado tantas pessoas e nunca recebera nada em troca. A verdade é que sempre fora ensinada a ajudar os outros, a idade ainda era pouca para desobedecer e ela sempre fora uma menina obediente. Se o mundo era assim egoísta porque haveria ela de ser diferente se ninguém a valorizara, pensava. O facto de o pai a ter deixado reforçava a sua opinião.

Os cabelos pingavam, o frio aumentava e a fome começava a vir, o que a distraía das fortes reflexões que lhe iam tirar o sono naquela noite. A menina finalmente conseguia avistar a mãe, ao longe, que já contava com o apoio da polícia para a encontrar. Já metida no carro, voltavam os pensamentos, foram precisas apenas duas horas sozinha na cidade para chegar a tal conclusão que não tinha chegado em sete anos. Talvez precisasse de sair mais de casa.

Margarida Aragão, 9.ºB, 2018-19

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