Participar numa edição da Escola de Verão de Física é um feito espetacular. Duas ainda melhor, agora três, eu pensei que era impossível, pois a escola de verão de física é só para os 10º e 11º anos. Na 8ª edição, conheci pessoas que tinham acabado o 12º ano e, por isso, pensei em participar outra vez. Desta vez era um mistério, pois não sabia quantos participantes poderiam colaborar. Uma coisa eu sabia, não seria nada fácil ser selecionado desta vez. Ainda pensei em inscrever-me na Escola de Verão de Matemática, mas o gosto pela Física e pela Astronomia fizeram-me mudar de ideias. Tendo a hipótese de escolher a área onde o meu projeto se iria basear, escolhi Astronomia, por ser uma área que sempre adorei e sobre a qual sempre quis aprender mais, apesar de eu gostar muito de Física.

Ao saber que fora selecionado, fiquei muito contente, porque sabia que ia viver pela terceira vez uma semana inesquecível, não só pelo conhecimento que iria adquirir, mas também pelo convívio com outros colegas. Mais ainda, cnsultei melhor a lista e reparei que alguns dos meus amigos da 8ª edição também tinham sido selecionados.

Fotografia do telescópio com lente especial para observar o Sol que foi utilizado para a recolha de dados

Fotografia do telescópio com lente especial para observar o Sol que foi utilizado para a recolha de dados

No dia de apresentação, comecei por me inscrever nos cursos que tinha de escolher. Aqueles que podia selecionar eram: Relatividade, que era obrigatório para todos os participantes, e depois podíamos escolher entre o curso de Planetas e o curso de Mecânica Quântica. Tendo assistido ao curso de Mecânica Quântica, na 7ª edição, e ao curso de Planetas, na 8ª edição, optei pelo curso de Planetas, por ser a área que aprecio mais da Astronomia, apesar de o curso de Mecânica Quântica ser um bom curso e que eu recomendo imenso que assistam.

Após tê-lo feito, fui à procura dos meus amigos da 8ªedição, que eu não via há muito tempo. Que saudades! Depois, ao entrar para o anfiteatro e ver os nomes dos projetos, houve muitos que me despertaram a atenção. O projeto “As múltiplas cores do Sol” foi-me atribuído. Fiquei a conhecer o grupo e o monitor com quem ia trabalhar, nos dias que se seguiram. Posteriormente, a cada dois grupos foi atribuído um monitor da Vértico para acompanhar os alunos desde as 18 horas até entrar na universidade no dia seguinte. Entre os oito monitores possíveis, três deles já me conheciam de edições anteriores, e o meu grupo ficou entregue a um deles. É preciso ter muita sorte! Ainda nesse dia, fiquei a saber que ia dormir num quartel já familiar das outras edições.

Fotografia tirada ao Sol com o telescópio referido anteriormente

Fotografia do Sol

Para quem gosta disto, a semana passa num abrir e fechar de olhos. De manhã tínhamos os cursos de Relatividade e o de Planetas (ou Mecânica Quântica, consoante a opção) e as palestras. À tarde, cada grupo tinha o seu projeto e o meu surpreendeu-me pela positiva, pois fiquei com a ideia de como é a vida de um astrónomo. Este vê por um telescópio para recolher dados e depois analisa-os no computador, com programas específicos. No meu caso, usei o Excel para efetuar os cálculos (pois calculá-los à mão demoraria imenso tempo e só tínhamos quatro tardes para realizar o projeto) e gráficos com os resultados e o SalsaJ para recolher dados das fotografias tiradas ao sol pelos vários filtros. Com isto, conseguíamos calcular a intensidade real do sol, a profundidade ótica, entre muitas outras componentes. Foi fantástico!

No primeiro dia de projeto, visitámos o Centro de Astrofísica do Porto (CAUP) e conhecemos os astrónomos que lá trabalhavam e que nos explicaram o que eles faziam e como era o dia-a-dia de um astrónomo. Com isto fiquei com uma ideia do que é ser um astrónomo.

À noite, eramos acompanhados pela Vértico e fazíamos várias atividades, uma por noite. Fomos jogar bowling, dar um passeio pelo Porto, visitamos o Jardim Botânico e um bar. Isto contribuiu para os participantes da escola de verão conviverem em grupo e criarem laços de amizade mais fortes.

Nos primeiros dias, após sairmos dos projetos e antes de irmos jantar, estivemos a ensaiar um desafio que era imitar os electrões, a que foi dado o nome de flash mob da supercondutividade. Foi muito giro e divertido.

Em relação às palestras, tivemos uma sobre Biologia, intitulada Evolução em Tempo Real, em que a Física e a Biologia tinham algo em comum, o que se conseguiu ver na palestra . Já O espaço na Física e a Física no Espaço abordou temas, tais como a relatividade e a sua história e a nossa tecnologia para explorar o espaço. Por último, tivemos a palestra ITER que nos deu a conhecer a tecnologia que permite realizar a fusão de material no estado plasma. Acho que as palestras mostram que a Física está interligada a várias áreas, o que demostra o quão vasta e abrangente ela é.

No que toca a dificuldades, não tive e julgo que os outros participantes conseguiram ultrapassá-las, graças à disponibilidade de professores e colegas. Os professores esclareciam as dúvidas, mesmo fora dos cursos. Às vezes, vinham à tarde para esclarecer dúvidas, pois havia alunos muito interessados e que queriam aprender mais. Os colegas destacaram-se pelo espírito de entreajuda, motivação e união; o que fez toda a diferença! Na minha opinião, os professores explicaram a matéria de forma simples e clara. Eu, apesar de já não ser a primeira vez que estava a assistir aos cursos, consolidei alguns conceitos.

O último dia foi o dedicado às apresentações, os grupos tendo explanado o seu projeto a outros participantes, monitores, professores da universidade e até a alguns familiares. Chegou o momento em que todos queriam mostrar o seu conhecimento. Alguns alunos, como eu, tiveram o privilégio de ter o Reitor da Universidade do Porto a assistir à apresentação dos seus projetos. Muitas perguntas foram colocadas e, no final do dia, as pessoas presentes no anfiteatro, tinham aprendido imenso consolidado os conceitos com as questões colocadas. No último momento do dia, vimos o vídeo do flash mob que deixou toda a gente orgulhosa do que fizera. Houve uns momentos cómicos, que contribuíram, também, para o vídeo ficar melhor, porque os participantes estavam felizes a fazer aquilo. E dava prazer ver essa felicidade.

Este ano, julgo que a mensagem que nos procuraram transmitir foi que a Física é vasta e relaciona-se com outras ciências, o que a torna mais vasta e ainda mais fascinante. Muitos alunos ficaram com a ideia de que o que aprendemos na escola é o mesmo que compararmos o tamanho da Terra com a nossa galáxia, a Via Látea.

Esta semana foi inesquecível para mim, não só pelo que aprendi na área da Física, mas pelo grupo de alunos com quem tive oportunidade de trabalhar e também pelo que me diverti. Partilhei vários conhecimentos que tinha sobre Física e Astronomia e adquiri novos. Diverti-me imenso com eles. Já noutras edições tive grupos assim e, para além do fascínio pela Física e pela Astronomia, o convívio é outra das razões pela qual eu me inscrevi na Escola de Verão de Física, porque temos pessoas fantásticas que tornam esta semana tão divertida e interessante, que passa a correr e ficamos a desejar que fosse mais longa.

Recomendo imenso aos estudantes, que gostam desta área, que participem na Escola de Verão de Física porque, não só aprendem com os professores e monitores de projeto, como aprendem com os próprios colegas e divertem-se com eles e expandem ainda mais o seu conhecimento pela Física.

Carlos Miguel Callaty Garcia

ex-aluno da Escola Secundária de Sampaio e atual aluno do 1ºano do curso de Física da Faculdade de Ciências Universidade do Porto

  

 

 

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